Entre o nascimento e a morte, ponte absurda sobre o impossivel que liga nada a coisa nenhuma, concebe-se a ideia de tempo. Duração do pouco que duramos, quanto de ti é o Nós. Mas por ora não nos percamos no niilismo. Isto trata-se de algo mais, não fosse a noção de "aquis" e "agoras" o substrato para o conhecimento, para a lucidez. Grande plano para os "agoras".
O tempo é preponderante no entendimento e na forma de existência humana. É democrático, aglutinador e soberano, sobrepõem-se a todos os lugares ou não-lugares.
O tempo está pois a cima do que existe. Se as coisas têm uma essência ou substância, se o aparente muda encerrando em si algo imutável, tudo isso não é apenas secundário, além disso, provoca gargalhadas de riso. Antes de tudo o resto, o único substrato lícito de ser pensável é o algo que fica do que vida foi, a esperança do sargaço na meia praia em fecundar uma nova ilusão.
Ó caducidade dos entes.
Ó certeza de que nada se repete.
Ó gradativa humidade nas paredes.
Ó rugas que se cravam na carne humana.
Águas calmas e correntes, há mais tempo e vida em ti que nos relógios e movimentos demais das cidades, respectivamente. Pena haver poucos que te saibam ouvir....

The sands of time wait for nobody

"Desde que entramos neste corpo mortal, a morte nunca mais deixou de estar a vir (...) O tempo que se vive, é vida que se corta e cada dia que passa, é menos vida que nos fica." Santo Agostinho.
"Quando nasces já és velho o suficiente para morrer" Santo Agostinho