Quando o amor é sexual amamos o prazer que um corpo estranho nos concede.
Quando o amor é sentimental amamos o conceito que tecemos sobre a pessoa amada, e repare-se que amamos apenas a imagem, apenas o conceito, que temos dessa pessoa e não ela mesma, sendo esse mesmo conceito apenas nosso e absolutamente único. Mas ainda não acabou: por sua vez amamos, apenas, o que a existência desse conceito provoca em nós.
E este género de coisas lógicas dá azo a desejos que rompem com a moral vigente, e que muitos de vós deverão ver como hediondos. Por exemplo:
1- quando o amor é sexual: Poligamia
2- quando o amor é sentimental: Por vezes sucede que a imagem (conceito), que tínhamos da pessoa em questão, se altera por qualquer razão que nos transcenda, damos por nós a pensar: "que vi eu naquela pessoa?"
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Ainda estão a pensar nisso? Desistam!
Diria santo Agostinho: "ainda não sabia o que era o amor e já amava amar"
Atroz divertimento este...
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oferendo-vos Fernando Pessoa:
A Alma não se usa à superfície do mundo
Se alguma coisa há que esta ida tem para nós, e, salvo a mesma vida, tenhamos que agradecer aos Deuses, é o dom de nos desconhecermos a nós mesmos e de nos desconhecemos uns aos outros. A alma humana é um abismo obscuro e viscoso, um poço que não se usa na superfície do mundo. Ninguém se amaria a si mesmo se deveras se conhecesse, e assim, não havendo a vaidade, que é o sangue da vida espiritual, morreríamos na alma de anemia. Ninguém conhece outro, e ainda bem que não o conhece, e, se o conhecesse, conheceria nele, ainda que mãe, mulher ou filho, o intimo, metafísico, inimigo.

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