Fatum
Nessa recta circular que vida chamam,
Inspiro a curtos fôlegos sua essência
Que as Parcas tramam
Em sua malevolência.
O Futuro que não temos e não existe
Cria em nós esta falsa esperança
De ter em riste
A letícia branda.
Oh! Fado desmesurado do destino,
Natural e imparável, que consciente
Do vigor perdido
Escorre tão fluente.
No medo do certo purgante pranto,
Sereno e tranquilo intento ser,
Tal Orfeu canto
No ardor de viver.
Tranquilo, incitam a largos passos
O coração que não sei controlar,
Nos douze escassos
Incapazes d’estirar.
Em [des]ânimo entoo a débil sorte
Da cenologia autêntica e certa
Da vida em morte
Que Cronos veta.

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