A vida é ridícula pois a morte a torna inútil. Como podem eles afirmar invariavelmente que a vida é bela, quando o belo dá lugar ao bem, e a vida humana apenas dá lugar ao vazio? Ou quando o seu grande objectivo, que é conquista da felicidade individual ou colectiva (coisa, por sua vez, demasiado volátil e abstracta para ultrapassar a barreira da invenção humana irreal), é tudo quanto precisamos e que o dineheiro a pode comprar?
Pois que a felicidade seja impossível, que seja o termo do conceito inexistente no mundo real. Jamais será a razão soberana e provocadora da incompreensibilidade com que a vida é vista, ou a frivolidade crescente com que é vivida…
Tal como todo o verdadeiro amor é um amor impossível, e da mesma forma que a acutilante saudade é um dos mais generosos sentimentos que se pode transpirar, também a vida definha na sua paradoxalidade (é... por esta não esperavam vós).
Que melhor sentido pode ter uma vida, do que aquela que é guiada por um sonho dos outros com nós próprios? Qual poderá ser a melhor vida que essa mesmo? Aquela que é vivida na pura mentira de que o futuro existe, e de que o podemos criar para nós mesmos em conformidade com a ética do agir, pensar e ser.
É possível viver a vida gratamente. Mas tornar-se-á mais gratificante caso não se carregue a consciência de que o propósito desta, o bem supremo (chamo-lhe isto por preguiça e ignorância), filho da ética e das belas-artes, não pode ser simplesmente compreendido ou tão pouco alcançado, apenas fingido. Ainda para mais quando estamos a viver a única oportunidade que o temos de fazer.
A verdade é acutilante e áspera, todavia, a mentira, apesar de espinhosa, é benévola…
Incitando a descida que a Sorte nos obriga, apelo à compreensão de que todos nós vivemos a única oportunidade de o fazer, e que as cidades não passam de pedras de calçada onde florescem as rosas de Adónis. Rosas essas que mesmo quando rosas se recusam a ser, efémeras a ser continuam.

Pois, face à atroz realidade que se traduz pelo facto de vivermos apenas para a morte (ou algo do género), qual seria o comentário MAIS ADEQUADO que uma referência à briosa. Sim, o futebol é realmente a salvação!
Oh divina providência, o que são as penas eternas face à briosa.
Abençoada seja a moral que nos nega as palavras mais apropriadas neste momento...
E ainda perguntais vós porque razão cada vez mais gosto do MATA... (Movimento Anti-Tradição Académica)